e d i v a l   p e r r i n i
 
Edival Perrini - O   r e m o >
Jandyra Kondera Mengarelli - “c u m p l i c i d a d e   d e   a i s” >
Leopoldo Scherner - “l a v o ,   l a v o   m e u   p o e m a” >
Luiz Alberto Pena Kuchenbecher - “s o u   m a r   s e r e n o” >

lavo, lavo o meu poema
até deixá-lo limpinho
de tudo o que o impede
de ser claro como a água

lavo, lavo o meu poema
com sabão e com escova
quero que seja escovado
da mais mínima sujeira

lavo, lavo o meu poema
que é só meu, mas é de todos,
sendo limpo, sendo lindo,
cada um o julga seu,
todos o querem para si

lavo, lavo o meu poema
lavo, duas, lavo três
lavo quantas forem precisas
as vezes de o bem lavar

(Leopoldo Scherner in Traços do Ofício, 2004)