AS COISAS

as coisas são
invisíveis

como o ar

se você não

para para

reparar

Arnaldo Antunes/ Agora aqui ninguém precisa de si/ 2015

DEU BRANCO

Deu branco

Era para ser um poema,
era feito mel e colmeia,
mas entre trancos e barrancos
perdi a pilha da ideia.

Edival Perrini / www.edivalperrini.com.br / 2017

CANÇÃO DE DOMINGO

Que dança que não se dança?
Que trança não se destrança?
O grito que voou mais alto
Foi um grito de criança.

Que canto que não se canta?
Que reza que não se diz?
Quem ganhou maior esmola
Foi o Mendigo Aprendiz.

O céu estava na rua?
A rua estava no céu?
Mas o olhar mais azul
Foi só ela quem me deu.

Mário Quintana / Poesias / 1977

TESOURO

arco-iris

Se a chuva se despe
e o poema escorre
lunático,
a leveza do arco-íris
ilumina
potes diversos.

Edival Perrini/ www.edivalperrini.com.br/2015

FATAL

Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se me dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso.

Adélia Prado/ Bagagem/ 2003.

Edival Perrini

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba-PR, em 23 de outubro de 1948, onde cresceu e reside. Saiba +

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