“AMOR EU SINTO”

amor eu sinto

Amor eu sinto.
Se explico,
minto.

Edival Perrini/ Pomar de águas/1993

A PACIÊNCIA E SEUS LIMITES

Dá a entender que me ama,
mas não se declara.
Fica mastigando grama,
rodando no dedo sua penca de chaves,
como qualquer bobo.
Não me engana a desculpa amarela:
“Quero discutir minha lírica com você.”
Que enfado! Desembucha homem,
tenho outro pretendente
e mais vale para mim vê-lo cuspir no rio
que esse seu verso doente.

Adélia Prado/ Miserere/ 2013

ANGÚSTIA

tempestade

Nenhum indício de tempestade
ou trauma
sobre o verão se abate.

De onde
então
este alicate
a asfixiar minha calma?

Edival Perrini/ O olho das águas/ 2009

DUAS BAGATELAS (poema I)

O que conheço de mim
é quase só o que sei,
e o que sei é quase só
o que não quero saber.
Resta saber se isso tudo
é só o começo ou se é o fim
ou – o que é pior que tudo –
se é tudo.

Paulo Henrique Britto/ Mínima lírica/ 2013

SOBRESSALTO

sobressalto

Entre o ver
e a certeza de que você está,
há um poço de prazer
e sobressalto.

No assalto deste instante
distraído mareante
me abasteço.

Eu que sou o pedaço,
o bagaço,
solitário caroço abjeto,
com você
fruto completo.

Edival Perrini/ O olho das águas/ 2009

Edival Perrini

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba-PR, em 23 de outubro de 1948, onde cresceu e reside. Saiba +

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