ANGÚSTIA

tempestade

Nenhum indício de tempestade
ou trauma
sobre o verão se abate.

De onde
então
este alicate
a asfixiar minha calma?

Edival Perrini/ O olho das águas/ 2009

DUAS BAGATELAS (poema I)

O que conheço de mim
é quase só o que sei,
e o que sei é quase só
o que não quero saber.
Resta saber se isso tudo
é só o começo ou se é o fim
ou – o que é pior que tudo –
se é tudo.

Paulo Henrique Britto/ Mínima lírica/ 2013

SOBRESSALTO

sobressalto

Entre o ver
e a certeza de que você está,
há um poço de prazer
e sobressalto.

No assalto deste instante
distraído mareante
me abasteço.

Eu que sou o pedaço,
o bagaço,
solitário caroço abjeto,
com você
fruto completo.

Edival Perrini/ O olho das águas/ 2009

IMPRESSIONISTA

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado/ Bagagem/ 1978

NO SONHO E NO POEMA

SONHO E POEMA

no sonho e no poema,
por não poder
me distraio

no sonho e no poema
há um poço,
raio que verte versos
se ouço

no sonho e no poema
há ossos,
manto de agonia
e espanto

no sonho e no poema,
por não poder
é que posso

Edival Perrini/ www.edivalperrini.com.br/ 2015

Edival Perrini

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba-PR, em 23 de outubro de 1948, onde cresceu e reside. Saiba +

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