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São Paulo - E l o g i o a o A m o r >
Adélia Prado - C a s a m e n t o > Chico Buarque - F u t u r o s A m a n t e s > Pablo Neruda - P o e m a n ú m e r o 7 > Hilda Hilst - P o e m a I d e D e z C h a m a m e n t o s a o A m i g o > |
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CASAMENTO Há mulheres que dizem: meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes. Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como “este foi difícil” “prateou no ar dando rabanadas” e faz o gesto com a mão. O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo. Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir. Coisas prateadas espocam: Somos noivo e noiva. (Adélia Prado in “Poesia Reunida”, pág. 252)
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