FIM DE FESTA

fim de festa foto 2

A reboque de um carro desbotado,
asfixiado pelo congestionamento,
o barco nada lembra do mar
do sol
nem das gaivotas.

Naufraga.

Edival Perrini/www.edivalperrini.com.br/2016

EXAUSTO

Eu quero uma licença de dormir,
perdão para descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o profundo sono das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

Adélia Prado/ Bagagem/ 2003

para Gabo

para Gabo

selvagens baleias
mergulham das nuvens,
me acendem, me excitam,
amparo de dúvidas

centauro marinho,
promessas de mar,
sereias, seus cantos
caminho das índias?

 selvagens baleias
habitam as nuvens,
se as vejo, se ouço
seus surdos vestígios

agarro a fumaça,
mergulho sonhante
em mares, entranhas,
gritantes silêncios

 

Crédito da imagem: www.cyberartes.com.br

Edival Perrini/ www.edivalperrini.com.br/ 2015

“Lavo, lavo o meu poema”

lavo, lavo o meu poema
até deixá-lo limpinho
de tudo o que o impede
de ser claro como a água

lavo, lavo o meu poema
com sabão e com escova
quero que seja escovado
da mais mínima sujeira

lavo, lavo o meu poema
que é só meu, mas é de todos,
sendo limpo, sendo lindo,
cada um o julga seu,
todos o querem para si

lavo, lavo o meu poema
lavo, duas, lavo três
lavo quantas forem precisas
as vezes de o bem lavar

Leopoldo Scherner/ Traços do Ofício/ 2004

ABRIGO

Tempestade abrigo

um vento sul me transtorna

náufrago de noite interminável,
resta-me o fulgor da tela em branco

sobreviver é permanecer acordado
dentro do poema

Edival Perrini/ www.edivalperrini.com.br/2013

Edival Perrini

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba-PR, em 23 de outubro de 1948, onde cresceu e reside. Saiba +

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